Empresas de teleatendimento, alimentos e saúde lideram lista de maiores empregadores do país; veja ranking

Os maiores empregadores formais do país são atualmente empresas de teleatendimento, alimentos, gestão de saúde e de terceirização de serviços. É o que mostra levantamento feito pelo Ministério da Economia, a pedido do G1, que lista as empresas com o maior número de vínculos empregatícios com carteira assinada, a partir dos números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

A liderança do ranking é da empresa de call center Atento, que reunia em fevereiro 73.822 funcionários. Na vice-liderança, aparece a BRF, dona da Sadia e Perdigão, com 55.513 empregados. E na 3ª colocação está a Vale, com 42.446 vínculos.

Das 50 empresas da lista, 8 delas têm o teleatendimento como atividade principal. Na sequência, estão os ramos de alimentos (6), saúde (6), terceirização de serviços (5) e bancos (4). Veja abaixo o ranking:

Maiores empregadores do Brasil

ranking empresa vínculos empregatícios celetistas setor
ATENTO BRASIL 73.822 TELEATENDIMENTO
BRF 55.513 ALIMENTOS
VALE 42.446 MINERAÇÃO
DELIMA COMÉRCIO E NAVEGAÇÃO 41.523 TRANSPORTES
ASSOCIAÇÃO PAULISTA PARA O DESENVOLVIMENTO DA MEDICINA 35.906 SAÚDE
SEARA ALIMENTOS 32.881 ALIMENTOS
ITAU UNIBANCO 32.514 FINANCEIRO
LIQ CORP 31.057 TELEATENDIMENTO
EMPRESA BRASILEIRA DE SERVICOS HOSPITAL – EBSERH 29.886 SAÚDE
10º ALMAVIVA DO BRASIL TELEMARKETING E INFORMÁTICA 27.734 TELEATENDIMENTO
11º JBS 27.110 ALIMENTOS
12º TOP SERVICE SERVIÇOS E SISTEMAS 27.006 TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS
13º PETROBRAS 25.653 ÓLEO E GÁS
14º MGS – MINAS GERAIS ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇOS 24.099 SERVIÇOS PÚBLICOS
15º AURORA ALIMENTOS 20.580 ALIMENTOS
16º COMLURB CIA MUNICIPAL DE LIMPEZA URBANA 19.751 LIMPEZA
17º FUNDAÇÃO DO ABC 19.640 SAÚDE
18º LIDERANCA LIMPEZA E CONSERVACAO 19.373 TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS
19º REDE D´OR SÃO LUIZ 19.322 SAÚDE
20º GRENDENE 18.990 CALÇADOS
21º TELEPERFORMANCE CRM 18.969 TELEATENDIMENTO
22º AEC CONTACT CENTER 18.873 TELEATENDIMENTO
23º SEREDE SERVIÇOS DE REDE 18.548 TELECOMUNICAÇÕES
24º MRV CONSTRUÇÕES 17.603 CONSTRUÇÃO
25º FCA FIAT CHRYSLER AUTOMOVEIS BRASIL 16.896 AUTOMÓVEIS
26º RAÍZEN ENERGIA 16.707 ETANOL E ENERGIA
27º CASA DE SAÚDE SANTA MARCELINA 16.336 SAÚDE
28º BANCO DO BRASIL 16.008 FINANCEIRO
29º BRASIL TELECOM CALL CENTER 15.344 TELEATENDIMENTO
30º NEOBPO SERVIÇOS DE PROCESSOS DE NEGÓCIOS 15.010 TELEATENDIMENTO
31º BANCO BRADESCO 14.784 FINANCEIRO
32º VOLKSWAGEN DO BRASIL 14.453 AUTOMÓVEIS
33º BANCO SANTANDER BRASIL 14.108 FINANCEIRO
34º VERZANI E SANDRINI 13.902 TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS
35º EMBRAER 13.829 FABRICAÇÃO DE AERONAVES
36º TAM LINHAS AÉREAS 13.334 AVIAÇÃO
37º TELEFÔNICA BRASIL 13.258 TELECOMUNICAÇÕES
38º GR SERVICOS E ALIMENTAÇÃO 13.112 ALIMENTOS
39º SBIBHAE ALBERT EINSTEIN 13.074 SAÚDE
40º SEGURPRO VIGILÂNCIA PATRIMONIAL 12.522 VIGILÂNCIA E SEGURANÇA
41º ALPARGATAS 12.517 CALÇADOS
42º GUARARAPES 12.426 VESTUÁRIO
43º ORBENK ADMINISTRACAO E SERVICOS 12.376 TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS
44º CIA SIDERÚRGICA NACIONAL 12.253 SIDERURGIA
45º TEL CENTRO DE CONTATOS 12.252 TELEATENDIMENTO
46º TELEMONT ENGENHARIA DE TELECOMUNICAÇÕES 12.168 TELECOMUNICAÇÕES
47º SOLUÇÕES SERVIÇOS TERCEIRIZADOS EIRELI 12.093 TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS
48º SÃO MARTINHO 12.043 ETANOL, AÇÚCAR E ENERGIA
49º COPASA MG 11.860 SANEAMENTO
50º M DIAS BRANCO 11.812 ALIMENTOS

Como foi feito o ranking

O ranking foi feito a partir das informações repassadas pelas empresas ao Caged e considera os vínculos empregatícios dos estabelecimentos com o mesmo CNPJ raiz. O levantamento não informa o quadro total de funcionários por grupos econômicos ou das companhias que atuam no país com diferentes CNPJs e subsidiárias.

“Não é possível realizar depurações mais precisas para localizar empresas específicas, pois as estruturas societárias são mais complexas e não correspondem necessariamente às agregações simples de CNPJs”, explicou o ministério.

A Petrobras, que é empresa de capital aberto com maior faturamento e valor de mercado do país, aparece, por exemplo, na 13ª posição no ranking. A companhia informou ao G1, entretanto, que possui atualmente 63.361 empregados no Brasil, considerando todas as suas subsidiárias e empresas controladas.

Já a JBS aparece no top 50 com 2 CNPJs diferentes: a Seara Alimentos (32.881 vínculos) e JBS (27.110). Juntas, elas reúnem 59.991 empregados. Procurada pelo G1, a JBS informou ter atualmente mais de 230 mil colaboradores nos mais de 15 países em que atua..

“A JBS emprega mais de 120 mil colaboradores no Brasil. A companhia está presente em 17 estados, em mais de 130 municípios, sendo a maior empregadora privada na maioria deles”, disse em nota. A diferença em relação aos números informados pelo Ministério da Economia estaria em trabalhadores empregados por outras subsidiárias da JBS não constantes da lista dos 50 maiores empregadores.

Atento, BRF e Vale não quiseram comentar o levantamento.

Unidade da Atento em São Bernardo do Campo (SP) — Foto: Divulgação/Atento

Unidade da Atento em São Bernardo do Campo (SP) — Foto: Divulgação/Atento

A Atento, a líder do ranking, se anuncia como a maior empresa de serviços de gestão do relacionamento com clientes e de terceirização de processos e negócios (CRM/BPO) da América Latina, com mais de 400 clientes. A multinacional tem ações negociadas na bolsa de valores de Nova York e informa em sua página empregar cerca de 150 mil funcionários em 13 países.

Setor de serviços é o que mais gera empregos

Para Bruno Ottoni, pesquisador da consultoria Idados e do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), o ranking mostra que os maiores empregadores do país compreende basicamente dois tipos de empresas: as maiores do país em termos de receita e também as que estão em setores que demandam muitos funcionários.

“O setor de serviços é aquele que mais emprega no Brasil, visto que costuma ser mais intensivo em mão de obra”, observa.

De acordo com os números do Caged, o setor de serviços emprega atualmente cerca de 45% do total de trabalhadores com carteira assinada.

“O setor de serviços tem sido o principal responsável pela geração de empregos com carteira assinada. Em 2019, cerca de 90% dos empregos gerados foram neste setor “, afirma Thiago Xavier, economista da Tendências Consultoria.

O pesquisador destaca, entretanto, que parte considerável das empresas do ranking, com destaque para as de teleatendimento, oferecem, na média, empregos que exigem menor qualificação e com menores salários.

“Isso ajuda a explicar a estrutura atual dos salários no país, no qual grande parte dos empregados está nas faixas salariais inferiores. No último ano, cerca de 85% dos empregos criados com carteira assinada ofereciam até 2 salários mínimos (o equivalente a R$ 1.908)”, observa Xavier.

Empresas do ranking reúnem 2,7% das vagas formais do país

As 50 empresas do ranking empregavam em fevereiro um total de 1,053 milhão de funcionários com carteira assinada. Esse universo representa menos de 3% do estoque de empregos formais do país, que reunia em fevereiro 38,6 milhões de trabalhadores, segundo o Caged. Em fevereiro de 2018, eram 38,047 milhões de empregos formais no Brasil. No pico pré-crise, no final de 2014, o número chegou a 41 milhões.

Apesar da importância das grandes empresas na geração de empregos no país, números do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) mostram que a maior parte dos empregos formais do país estão hoje concentrados em pequenas e médias empresas.

Das 173 mil vagas com carteira assinada criadas no Brasil em fevereiro de 2019, 125,2 mil foram abertas por pequenos negócios e apenas 36,5 mil por médias e grandes empresas, segundo o Sebrae. As outras 11,4 mil vagas foram geradas na administração pública.

Nos dois primeiros meses do ano, as micro e pequenas empresas acumulam um saldo de 189,5 mil empregos formais gerados, quase 17 vezes maior que o saldo acumulado pelas médias e grandes empresas no bimestre (11.312 vagas).
Fonte: G1

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